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Crescem apostas em calote dos países ricos 24/11/2009
O crescente nível de endividamento do mundo industrializado está incentivando um número crescente de investidores a usar o mercado de derivativos para apostar na probabilidade de governos ricos deixarem de honrar seus títulos. O volume de atividade em swaps de risco de crédito (CDS na sigla em inglês) soberanos, que medem o custo do seguro contra inadimplência relacionada com títulos vinculados aos EUA, Reino Unido e Japão, dobraram nos últimos 12 meses, devido a preocupações sobre suas finanças públicas.
O volume de CDS envolvendo a Itália, que tem uma das mais elevadas carga de endividamento entre as economias desenvolvidas, é atualmente o mais elevado para um país individual, segundo o Depository Trust & Clearing Corporation. Em contraste, o volume de CDS negociados vinculados a emergentes países, como a Rússia, o Brasil, a Ucrânia e a Indonésia, tem se mantido inalterado ou caído nos últimos 12 meses, pois os investidores agora estão menos interessados em negociar os riscos desses países.
No passado, o mercado de CDS relacionados com países desenvolvidos era rarefeito, porque poucos investidores viam necessidade comprar ou vender proteção contra um risco de inadimplência que parecia extremamente remoto. Entretanto, níveis crescentes de endividamento e crescente incerteza política e econômica criaram um mercado mais ativo, pois mais investidores hoje buscam proteger-se. Por outro lado, muitos bancos estão dispostos a oferecer proteção em troca de uma taxa. Essa taxa, recentemente, deu um salto, pois o custo do seguro sobre a dívida de países desenvolvidos subiu desde o segundo semestre do ano passado, ao passo que o custo do seguro relacionado com dívidas de mercados emergentes caiu.
Gary Jenkins, diretor de pesquisas em renda fixa na Evolution, disse: "O maior risco individual envolvendo o mercado de títulos é o rápido crescimento da dívida pública no mundo industrializado. Se chegarmos a um ponto em que o mercado julgar que os níveis de endividamento são insustentáveis, então veremos enorme onda de vendas nos mercados de títulos de governos, acompanhada de uma disparada nos rendimentos (exigidos). Os governos precisam agir para cortar déficits e endividamento".
A Fitch Solutions, subsidiária do Fitch Group especializada em compilação de dados, disse haver quase tanta incerteza no mercado de CDS em face das perspectivas para as economias desenvolvidas e seus mercados de títulos quanto para as emergentes. Comparações entre a Itália e o Brasil são frequentemente usadas por estrategistas como um exemplo da contrastante situação dos mundos desenvolvido e emergente. Para a Itália, a previsão é de que a relação dívida sobre PIB cresça para 127,3% em 2010. No Brasil, a relação dívida/PIB deverá estabilizar em 65,4% em 2010. Nigel Rendell, estrategista sênior para mercados emergentes na RBC Capital Markets, disse: "Não é de surpreender que os investidores estejam cada vez mais preocupados com a dívida do mundo industrializado. É difícil sustentar uma dívida sobre PIB superior a 100%".
AUTOR: David Oakley, Financial Times, de Londres
Fonte: Jornal Valor Econômico
TAGS: Crise Financeira, Calote, Dívida Pública
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