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Recessão precipita o declínio dos shopping centers nos EUA
26/05/2009

Kris Hudson e Vanessa O'Connell, The Wall Street Journal, de Charlotte, EUA
25/05/2009
 
 
 
Com seus labirintos de corredores e praças de alimentação, os shoppings centers são há décadas um ícone do varejo nos Estados Unidos, ainda que às vezes esteticamente desagradável. Alguns ficaram famosos só pelo tamanho, outros pela grande variedade de produtos e entretenimentos que oferecem.

Mas a longa recessão está esvaziando esses corredores. Alguns analistas avaliam que o número de "shoppings mortos", debilitados pelas vendas anêmicas e altas taxas de desocupação, vai passar de cem até o fim do ano.

O Eastland Mall, que ocupa cerca de 100.000 metros quadrados na zona leste de Charlotte, Carolina Norte, uma área de baixa renda, perdeu recentemente diversas lojas importantes, como uma Dillard's e, no mês que vem, uma Sears. As vendas por metro quadrado caíram de US$ 25,92 em 2001 para US$ 18,90 em 2008.

O Metcalf South Shopping Center, de Overland Park, Kansas, está à míngua depois que fracassaram os planos de transformá-lo em uma área comercial a céu aberto. A fileira de lojas que liga os dois maiores inquilinos do shopping - Sears e Macy's - está quase vazia, patrulhada pelos seguranças.

Nos 12 meses até 31 de março, os shoppings americanos registraram, coletivamente, uma queda de 6,2% nas vendas das lojas abertas há mais de um ano, segundo a firma de análise imobiliária Green Street Advisors Inc. O recente declínio foi puxado por uma queda de 7,3%, em média, nas vendas da Simon Property Group Inc., administradora que possui o maior número de shoppings nos EUA.

Os problemas do setor só fazem piorar. A menor frequência de público, com a consequente queda nas vendas e nos lucros das lojas, fez com que no mês passado a Standard & Poor's rebaixasse a classificação de risco do setor de lojas de departamentos. Isso derrubou as notas de crédito da Macy's Inc. e da J.C. Penney Co. para grau especulativo e empurrou outras empresas para uma avaliação ainda pior. A Sears Holdings Corp., cujas lojas são âncoras de muitos shoppings, deve fechar 23 unidades este mês e no próximo.

A General Growth Properties, dona de mais de 200 shoppings nos EUA, entrou em recuperação judicial em 16 de abril, sobretudo por não conseguir refinanciar suas dívidas a vencer, que chegam a bilhões de dólares. Embora esse fundo de investimentos imobiliários tenha informado que a concordata não terá impacto sobre seus negócios de shoppings, analistas dizem que uma concordata prolongada poderá deixar os lojistas temerosos de continuarem atuando nesses locais depois que seus contratos de locação expirarem.

A gravidade da recessão está transformando alguns shoppings antes considerados viáveis em possíveis vítimas. "Qualquer shopping que esteja na UTI provavelmente será desativado" por causa da estagnação econômica, diz Michael Glimcher, presidente da Glimcher Realty Trust, dona de 23 shoppings nos EUA, inclusive o Eastland Mall, de Charlotte.

Uma regra prática do setor afirma que qualquer shopping grande, coberto, que gere vendas por metro quadrado de US$ 22,50 ou menos - a média nos EUA é de US$ 35,19 - está sob risco de quebrar. Segundo esse critério, o Eastland é um dos 84 "shoppings mortos" que constam de um banco de dados de 1.032 shoppings compilados pela Green Street. (Esse banco de dados só se concentra em shoppings pertencentes a empresas negociadas em bolsa.) Se as vendas no varejo continuarem a cair no ritmo atual, a lista dos shoppings mortos pode chegar a mais de 100 até o fim deste ano, segundo a Green Street. Estima-se que houve 40 quebras desse tipo em 2006, antes do início da recessão.

"Desta vez, devido às mudanças drásticas nos hábitos de compras dos consumidores, provavelmente veremos mais shoppings caindo nessa espiral da morte do que jamais vimos antes", diz Jim Sullivan, analista da Green Street.

A firma estima que as vendas por metro quadrado nos shoppings em locais fechados caíram 8% este ano, ante uma queda de 4,6% em 2008.

Os problemas dos shoppings não surgiram da noite para o dia. A maioria começou a declinar muito antes da atual crise econômica. Em geral um shopping começa a sofrer devido a cortes de empregos e outras pressões econômicas nos bairros em torno, ou com a inauguração de um shopping mais novo nas proximidades. A perda de lojas importantes - tais como a onda de fechamentos de lojas de departamentos nos últimos três anos - apressa o naufrágio. Outro fator que vem solapando o vigor dos shoppings é a preferência crescente dos consumidores por megalojas como as do Wal-Mart Stores Inc. e da Target Corp., que raramente atuam dentro de shoppings.

De fato, os incorporadores vêm se afastando do formato do shopping coberto em favor de centros ancorados por gigantes independentes como o Wal-Mart, ou então shoppings a céu aberto, com pracinhas e cafés ao ar livre espalhados entre lojas de moda. Apenas um shopping fechado foi aberto nos EUA desde 2006: The Mall at Turtle Creek, em Jonesboro, Arkansas.

Essas pressões, aliadas à dificuldade dos donos dos imóveis para refinanciar suas dívidas agora que os mercados de capital estão secos, indicam que virão anos difíceis pela frente para os donos de imóveis de varejo, mesmo depois que o consumo começar a se recuperar. "As concordatas dos shoppings e dos fundos de investimento imobiliário são a bomba-relógio sobre a qual ninguém está falando", diz Burt P. Flickinger III, diretor-gerente da firma de análise Strategic Resource Group.

Há quatro meses, executivos da J.C. Penney Co. convocaram uma reunião de "triagem" na sede da empresa para examinar as condições e a saúde financeira dos 550 shoppings onde se situam suas lojas. A conclusão: 15% desses shoppings estão em risco de quebrar.

"Começamos a ver que as coisas estão indo mal", diz Myron "Mike" Ullman III, diretor-presidente da Penney. Era importante, nota, "adiantar-se" ao problema dos shoppings revisando a estratégia de novas lojas da Penney para determinar se ela poderia realocar lojas de shoppings. Nos últimos 18 meses, as vendas semanais da Penney tiveram melhor desempenho nas lojas independentes, não situadas em shoppings tradicionais.

Centenas de outras lojas-âncora estão fechando as portas - em geral lojas de departamentos, com dois ou três andares, que atraem o movimento para os shoppings. Várias outras redes entraram em recuperação judicial nos últimos meses, fechando muitas lojas. E mais fechamentos são prováveis.
 

Fonte: Kris Hudson e Vanessa O'Connell, The Wall Street Journal, de Charlotte, EUA


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Recessão, shoppings centers, EUAa, declinio

 

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